quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Cafezando #12: Gato Griô Café 2D (São Paulo - SP) - 24/10/2025

 

    É preciso confessar que, quando programei de irmos ao Gato Griô 2D, eu não fazia a mais prostituta ideia sobre a qualidade da cozinha e dos cafés da casa. Eu só sabia que a decoração era incrível, com as paredes e os móveis pintados de tal maneira que dão a ilusão de que se está em uma página de quadrinhos. Eu sabia que minha namorada iria adorar isso, ainda mais porque os motivos dos desenhos eram felinos, e ela adora felinos, vide o gato com quem ela resolveu namorar. Além de não saber como era a cozinha da casa eu também não sabia o que era griô. Dei uma pesquisada aqui, e vou colocar a definição que mais gostei, do instagram @nonadajornalismo:

    "O termo se origina a partir da tradição africana da oralidade. Griô é quem preserva conhecimento e o transmite oralmente (de geração em geração), seja por meio de poemas, canções ou histórias"

    Porra, conceito demais, é ou não é? Nem precisava servir café. Mas serve. Em algum momento a gente fala deles. Por enquanto vamos falar da chegada ao Café Griô 2D, que começa numa vielinha muito bonitinha, tão bonitinha que nem parece estar ao lado do Cemitério da Consolação. Falar que a entrada é discreta é um eufemismo. O nome do lugar está escrito no poste de energia, e vemos apenas uma portinha aberta, que parece mais a casa de alguém. Mas já dá para entrever, dali mesmo, os desenhos nas paredes, que nos fizeram ir até lá.
 
"Vi ela na vielinha" é melhor que "a vi na vielinha"

"Dá licença, posso entrar? Seu poste foi pichado"

    Os desenhos mostram os gatos fazendo parte de pinturas famosas, como o "Gatoporu" ou o "Autoregato". Mais efetivo do que ficar escrevendo é mostrar a inundação de fotos que fizemos do lugar:


Gatinho curioso vendo quem chegou

Não dá vontade de correr nesse corredor

Ali atrás está a GataLisa, sei lá, não lembro o nome que deram

Esse mocorongo se intitula "gato" no texto

Esse é o Gatoporu, da Tarsila do Amiau

Em vez de "O grito" vem "O miado"

Uma geral legal cheia de miau

    Ainda não está na hora de falar dos comes e bebes. Antes, uma história envolvendo memórias. Lá estávamos confortáveis escolhendo o que iríamos pedir, quando entram duas distintas senhoras no café. Se sentam em uma mesa atrás da Chris. Eu estava de frente para elas. Reconheci uma das senhoras, apesar de não lembrar-lhe o nome, e falei para a Chris dar uma olhada discretamente. Ela também reconheceu, e o curioso foi que, inicialmente, reconheceu a outra mulher, não a mesma que eu tinha reconhecido. Mas disse que conhecia as duas. A que estava de vermelho trazia uma memória mais viva, mas nenhum de nós tinha certeza de onde. Pra mim parecia ser de uma novela, de um papel divertido. Chris achou que lembrava dela num papel de trambiqueira. Existe um registro do momento em que a Chris fustigava a própria memória:

Realizando o fustigo

    Chris teve uma ideia: perguntar ao barista. Sim, sabíamos que cada mesa tinha que dar um nome para ser chamado quando o pedido ficasse pronto. Ele veio à nossa mesa e Chris, entre dentes, perguntou se ele sabia quem era. O rapaz, novinho, disse que a pessoa lhe era familiar, mas também não sabia exatamente quem era. Mas prometeu que, se descobrisse, viria nos falar. Quase não conseguíamos mais comer, nem prestar atenção em nada. Chegamos a perguntar pro Google, mas como fazê-lo direito sem saber nenhuma informação? Algo terrível começou a acontecer: as duas mulheres começaram a se preparar para ir embora. Dá pra perceber, os movimentos mudam, as pessoas começam a pegar as coisas. E nós ainda estávamos no meio de um bolo com café. As duas foram até o caixa, e eu, decidido, resolvi levantar e ir pagar a conta antecipado. Ao chegar, mandei logo:

    - Eu já me diverti muito com a senhora.

    - Que bom! - ela respondeu, prontamente

    - Mas não consigo lembrar de onde, tenho a impressão que era de alguma novela.

    Foi a amiga dela que disse, "deve ser da Escolinha do Professor Raimundo". E a própria emendou "sim, mas lá eu usava uma peruca loira. Deve ser da novela Sassaricando". Sim, era isso! Minha lembrança de que ela fazia um papel divertido vinha de Sassaricando, novela que vi quando era criança, mas certamente a Dona Cândida, da Escolinha do Professor Raimundo, era a lembrança mais forte. Era a atriz Stella Freitas, simpaticíssima, assim como sua amiga, que nós também temos quase certeza de que é atriz. Mas não tive coragem de perguntar. A foto abaixo está ruim, mas será que alguém se habilita a dizer?

Dá aquele zoom maroto

Simpatia demais da Dona Cândida e da Dona Stella

    Meu editor acaba de me informar que gastei muitos caracteres escrevendo sobre decorações e artistas globais, e agora não tenho muito espaço para escrever sobre comidas e bebidas. Vou ter que ser breve: sim, existem várias opções de cafés, inclusive com alguns sendo finalizados na mesa (Hario V60 e Aeropress, pedimos um de cada, R$ 14 e R$ 16). Também tomei um tal de Matcha Macchiagato (pó de matcha com leite vaporizado e toque de café espresso, R$ 19), que não gostei muito. Para comer também existem opções várias, como tostex, toasts, croissants, brownies e bolos diversos. Entre os salgados escolhemos o MiÁuGICo (dois toasts de muçarela com tomate confit e alho frito no pão de fermentação natural, R$ 34), que estava delicioso. E teve um bolo de laranja também, que nenhum dos dois lembra direito se tava bom, se tava ruim, a gente não lembra nem se era de laranja mesmo, tão envolvidos que estávamos na descoberta de quem era a atriz misteriosa.

Isso tava marromenu

Isso tava óóótemo

Isso foi legal, o café feito na Aeropress

    E no fim os gatos nas paredes e a simpatia de Stella e sua amiga valeram a visita. Em um retorno espero encontrar o Seu Boneco e ir pra galera junto com ele.

    É isso. Em breve a gente volta a cafezar.

Endereço: Rua Coronel José Eusébio, 95, Tv. Dona Paula, 115 - Higienópolis, São Paulo - São Paulo
Instagram: @gato_grio

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Mocotó (São Paulo - SP) - 23/10/2025

 

    Perdizes. Vila Madalena. Jardins. Itaim Bibi. São Paulo é cheia de bairros famosos por sua vocação turística. A Vila Medeiros, na Zona Norte, nunca esteve entre eles. É um bairro marcadamente residencial, afastado das principais atrações da cidade. Mas um restaurante colocou a região entre os destinos imperdíveis para quem gosta de comer bem: o Mocotó, do chef Rodrigo Oliveira. Hoje já existe uma nova unidade, na Vila Leopoldina, mas queríamos ir lá onde tudo começou, em 1973, como uma casa do norte comandada pelo pai de Rodrigo, o Sr. José de Almeida. 

Na quebrada!

    Estávamos sem carro em São Paulo, mas o acesso não é tão difícil quanto possa parecer. Basta pegar a Linha Azul do metrô sentido Tucuruvi, e descer na estação final. Dali, um carro de aplicativo não deve custar mais de R$ 15 para levar até o Mocotó, em menos de dez minutos. Antigamente a casa não trabalhava com reserva, mas hoje é possível reservar, o que torna a experiência mais tranquila. Chegamos um pouco antes de o restaurante abrir, e a casa é preparada para isso: há diversos banquinhos do lado de fora, com toldos para proteger do sol - ou da chuva. Ao meio-dia em ponto as janelas e portas se abrem, e a enorme equipe recebe a todos, sempre com um sorriso no rosto. O restaurante é amplo, com alguns salões bem espaçosos e claros. Fomos acomodados em um corredor longo, com janelas de vidro, muitas samambaias do lado de fora, e bem próximo à cozinha, de onde saíam os pratos.

Chris ainda no banquinho da espera, mas com as janelas já abertas

É com "z", mas tudo bem, perdoado está

O corredor é longo, mas não tanto, tem espelho no fundo

    Tudo no Mocotó parece pensado para homenagear as tradições, sem que isso signifique um restaurante atrasado no tempo. Vejamos, por exemplo, o cardápio físico. É daqueles plastificados, bem típicos de lugares simples. Mas tem alguns desenhos, é bem diagramado, bem explicativo, e resolve tudo em apenas uma página, frente e verso, um lado para as comidas, um lado para as bebidas (existe um outro cardápio só para as sobremesas e digestivos, mas falaremos dele depois). Existem opções de petiscos (como torresmo e queijo de coalho com melado, preços por volta de R$ 30), porções (dadinhos de tapioca, moela, etc, indo de R$ 32,90 a R$ 49,90) e escondidinhos (R$69,90), para uma pegada mais de boteco. Depois o menu está dividido entre Tradicionais (baião-de-dois, sarapatel, caldo de mocotó, etc) e Especialidades (carne de sol na brasa, dobradinha, joelho de porco, etc). Para os Tradicionais, é possível escolher entre quatro opções de tamanho (mini, pequeno, médio e grande), o que facilita bastante caso haja o desejo de experimentar vários pratos. As versões minis tem preços que começam em R$ 24,90. Já nas Especialidades não há opções de tamanho, são pratos a partir de R$ 99,90 que são capazes de servir duas pessoas. 
 
    Sabe aqueles dadinhos de tapioca, que hoje são onipresentes em qualquer cardápio de boteco? Eles são uma invenção de Rodrigo Oliveira, o chef do Mocotó. Claro que não poderíamos ir embora sem experimentar o original, por isso começamos nossa farra com uma porção de seis unidades de dadinho de tapioca (R$ 26,90). É crocante por fora, é cremoso por dentro, é saboroso, é delicioso. Embora o chef Rodrigo não seja nada mesquinho com sua receita, que hoje todo mundo tem, acho que nunca comemos dadinhos tão bons. Claro que vieram acompanhados do clássico molhinho de pimenta agridoce, que alavanca ainda mais o sabor do petisco. 
 
Dadinhos não são dados, tivemos que comprar (pfff...)

    Digamos que os dadinhos foram um aperitivo. Resolvemos pedir dois pratos da seção de Tradicionais, na versão mini, para servirem como nossas entradas. Chris escolheu a mini-favada (R$ 32,90, fava amarela cozida lentamente com linguiça, bacon e carne-seca). Na verdade ela iria escolher o mini-feijão-de-corda, mas na hora de pedir eu me confundi, e acabei pedindo a favada pro garçom. Ela nem me xingou tanto, porque a favada estava muito saborosa, intensa, mas sem agredir, equilibrada. Vários ingredientes com personalidade, mas deu para sentir cada um deles.
 
Ainda bem que era boa, senão renderia xingos

    Eu, estando no Mocotó, não resisti a pedir o mini-caldo-de-mocotó (R$ 24,90) que, segundo o cardápio, é uma "receita exclusiva preparada da mesma maneira há mais de 50 anos". Dá para entender porque não mudaram a receita: é uma delícia de caldinho, e sem economizar nos pedaços de tutano, que vez ou outra aparecem na colherada. Queria fugir do clichê, mas não tem jeito: é comida que aquece a alma. A sensação é mesmo de que estamos experimentando algo de família, uma receita que vem de pai pra filho.
 
Cinquenta anos encapsulados em uma cumbuca

    Como pode ser visto acima, os dois caldos vieram servidos na cumbuca. É bowl não...é cumbuca! O Mocotó tem uma cerveja própria, fabricada pela Bamberg, de Votorantim (SP). Uma parceria certeira, porque com a Bamberg não tem erro. É do estilo Helles, bem leve, combina muito bem com as comidas de boteco. Falando mais um pouquinho sobre as bebidas, há uma quantidade razoável de cervejas, nada muito fora da curva, mas tem ali as lagers mais conhecidas, além dessa helles, uma com mel e limão, uma witbier e uma IPA. Seria bem interessante acrescentar ao menos uma cerveja ácida, talvez uma catharina sour, o estilo genuinamente brasileiro. Há também caipirinhas diversas (pedi uma com caju, limão-cravo e mel), alguns poucos vinhos e coquetéis (inclusive não-alcoolicos). Além disso, há refrigerantes (até cajuína, que é bem difícil de encontrar no sudeste), sucos e chás. 

Não é uma reles helles

E esse pingaiada não parou por aí, vai ter mais

    Obs: para as nossas notas de entrada fizemos uma média entre os dadinhos e os caldos.

    Para o principal, fizemos o seguinte: pedimos um prato da seção de Especialidades, a Carne-seca com cebola roxa, servida com pimenta biquinho, mandioca cozida e jerimum assado (R$ 109,90) e mandamos vir também um mini-baião-de-dois, que vem acompanhado de farofa e purê de mandioca (R$ 39,90). Difícil dizer o que estava mais gostoso. Quer dizer, na verdade para mim não é: o purê de mandioca é uma das melhores coisas que já coloquei na boca (segure esse pensamento impuro!). Chris se apaixonou pelo jerimum assado, que aliás vem à mesa parecendo uma bela fatia de bacon! Chris também adorou o fato de a carne vir bem limpinha, sem nervo (né, Maní?) e com pouca gordura. A farofa não é crocante, ao contrário, é bem macia, parece quase não passar por cocção. Mandioca cozida derretendo, baião-de-dois soltinho e saboroso. Pra ser perfeito só faltou um vinagrete. Um banquete. Nem vou falar de novo o tanto que aquece a alma...

Comidança por um ângulo

Comidança por outro ângulo

    Como dito ali acima, existe um cardápio separado para sobremesas (assinadas pelo chef Alex Sotero), doces e digestivos. Um cuidado para essa etapa da refeição que é muito raro de se ver. São seis sobremesas (pudim de tapioca, musse de chocolate com cachaça, etc, todas por volta de R$ 30), quatro sabores de sorvete (inclusive de rapadura, R$ 26,90), seis doces artesanais (como goiabada e bananada, todos servidos com queijo coalho, R$ 28,90), além de tapiocas doces (R$ 32,90). Entre as bebidas, cafés de vários tipos (inclusive alguns coados na mesa, à frente do cliente), chás digestivos e as "meladinhas", bebidas com base de cachaça e adição de frutas e especiarias, que se assemelham a um licor.

    Não houve muita discussão sobre a escolha da sobremesa que dividiríamos (você viu o quanto que comemos? Não dava pra ser uma pra cada): Chris vaticinou que seria a Cartola de Engenho (R$ 29,90, "o clássico pernambucano que combina banana, queijo-manteiga e farofinha de açúcar e canela"). Belamente apresentada, um ótimo exemplo do que citei acima, de respeitar as tradições mas dando um leve toque de modernidade. E não tem como errar na garfada, sempre vai ter banana, queijo, calda e farofinha. Uma combinação já testada e aprovada, que o Mocotó entrega com perfeição.

E a banana vem meio "disfalçada", pra quem a acha feia

    E pra finalizar, Chris tomou um café coado da Fazenda Pessegueiro (R$ 8,90 - sim, todos os cafés, assim como outros itens do cardápio, trazem o local de origem do produto) e eu tomei uma meladinha Bonina (R$ 19,90, cachaça envelhecida, baunilha, casca de laranja e semente de amburana). Ambos muito bons, fui bobo de não trazer uma garrafa de Bonina, que é vendida na lojinha do Mocotó.

Ma bebe, hein?

Café, me dá café, mais café, quero café, cafééééééé...

    Não comemos nem bebemos mais nada (por pura falta de espaço estomacal), mas nossa experiência ainda não tinha acabado. Nos andares superiores existe um mini-museu, contando a história do Mocotó, que tem uma linha do tempo do restaurante e um cenário simulando como era o lugar quando ainda era a casa do norte Irmãos Almeida. E ainda há um mirante, com bela vista da região.

Duro é subir as escadas depois de comer tanto

Calma, ele não bebeu mais, é só fingimento

E não é que a vista é bela mesmo? Dá-lhe Vila Medeiros!

    Nós fomos os primeiros a nos sentar nos banquinhos de fora do Mocotó, antes de ele abrir. Mas não ficamos nos lugares mais próximos da porta, e outras pessoas foram chegando. Na hora da abertura, fomos para trás dessas pessoas, não íamos brigar por causa disso - até porque tínhamos reserva. Pois não é que o funcionário que fica na porta nos chamou pra passar na frente, porque disse que nos viu chegando antes de todos? Demoramos até para entender, não estamos acostumados com isso. Isso exemplifica muito bem a excelência do serviço no Mocotó. Não somos fiscais do Ministério do Trabalho, então não podemos atestar com certeza, mas a impressão que dá é que são todos felizes em trabalhar ali. O serviço é absurdamente veloz (entre pedir uma cerveja e ela chegar deve ter demorado menos de um minuto), mas sem perder a simpatia e a espontaneidade. Em uma quinta-feira, o lugar não estava abarrotado, mas estava bem cheio. Ainda assim, nunca faltavam funcionários atentos a qualquer gesto. Ou até a um não-gesto, como quando eu coloquei o cardápio no parapeito da janela ao meu lado, e em alguns movimentos que eu fazia ele roçava no meu braço. Logo veio um funcionário e tirou o cardápio dali, percebendo meu leve incômodo. É um nível de atenção muito elevado.  

    Sempre deixo esse último parágrafo para as observações finais e para a decisão sobre se voltaríamos ou não ao restaurante. Mas nem vou me alongar, acho que o que vai acima já foi bem eloquente em dizer que sim, nós voltaríamos ao Mocotó. E vou até mudar o tempo verbal: nós vamos voltar ao Mocotó!

AVALIAÇÕES (Primeira nota da Chris, segunda nota do Fê; ao lado do quesito está o peso dele na média final):

Ambiente(2): 7,5 e 8,5
Serviço(2): 9 e 10
Entrada(2): 9,5 e 8,5
Prato principal(3): 9 e 9
Sobremesa(2): 8 e 7,5
Custo-benefício(1): 9 e 10
Média: 8,66 e 8,83
Voltaria?: Sim e sim

Serviço:
Av. Nossa Sra do Loreto, 1100 - Vila Medeiros - São Paulo - São Paulo
Telefone: (11) 2951-3056
Site: https://mocoto.com.br/
Instagram: @mocotorestaurante

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Maní (São Paulo - SP) - 22/10/2025

 


    Aqui do casal, quem assiste a programas de culinária, se importa com listas de melhores restaurantes do mundo, estrelas Michelin, chefs mais celebrados e afins é este que vos escreve. A Chris gosta de comer, mas não liga para nada disso. Portanto, foi com expectativas muito diferentes que nos dirigimos ao Maní em uma noite fria de quarta-feira em São Paulo. Para mim era a entrada em um templo da culinária. Para ela, só mais um restaurante. Caso você seja como a Chris, vale saber: o Maní tem uma estrela no afamado Guia Michelin desde 2015, além de contar com a chef Helena Rizzo no comando do cardápio (junto ao chef belga Willem Vandeven). Helena já foi considerada a melhor chef do mundo, além de ser uma das apresentadoras do programa Masterchef, da Band.

Qual dos dois tá mais trabalhado na expectativa?

    Nossa chegada ao Maní foi via Metrô, descendo na estação Fradique Coutinho, e depois caminhando por uns cinco minutos. Mas, mesmo estando a pé e prestando atenção, quase passamos batidos pela discretíssima fachada, que conta com uma pequena placa com o nome do restaurante, e uma luz bem branda. O que mais chama a atenção na entrada é uma árvore, que parece ser uma macieira (ao menos os frutos que vimos nela pareciam maçãs). Depois de abrir caminho através de uma cortina chegamos a um longo corredor, com palmeiras desenhadas à direita, além de uma janelinha com vidro fosco dando acesso visual à cozinha, e, dos dois lados, banquinhos, com mesinhas de apoio de copo, para aqueles que chegam sem reserva e precisam esperar uma mesa. Adentrando mais um pouco, dois salões interligados, com decoração em cores suaves, com muito branco, e nada gritando. Nas mesas, uma luminária daquelas com diversas gradações de luz. No local em que ficamos havia, no teto, um arranjo de galhos secos, bem rústico.
 
    (um aparte sobre o ambiente: não é a primeira vez que vemos isso, mas sempre nos incomoda a mesquinharia de toaletes em alguns restaurantes. Sabe, o Maní deve ter uma capacidade para, sei lá, umas 60 pessoas, e tem só uma "casinha" pros homens, uma pras mulheres, e que ainda dividem o mesmo exíguo espaço de espera, caso a "casinha" esteja ocupada. Pô, meus arquiteto, dá pra meiorá isso aí!)
 
O corredorzão e o banquinho da espera
 
Tudo muito claro e discreto, menos o rapaz aí

Já a moça está compondo bem com o ambiente

    O cardápio do Maní se resolve em apenas uma página, com couvert (R$ 36 por pessoa), seis belisquetes (uma pré-entrada, podemos dizer, com preço médio de R$70), seis entradas (começando em R$ 79 e podendo chegar a R$ 114), oito principais (individuais, de R$ 99 a R$ 199) e seis sobremesas (todas por volta de R$ 50). Tem também sorvete e fruta do dia, mas não vou considerá-los como sobremesa. Algo inusitado é que o menu lista apenas os ingredientes utilizados na receita, sem dar um nome ao prato e sem explicar como são servidos, qual o tipo de cocção, enfim, sem nenhum detalhe. Isso já deixa bem clara a proposta de dar valor aos ingredientes. É um jeito bem inusitado de decidir o que se vai comer. Claro, existe a possibilidade de perguntar ao garçom, mas acho que a proposta é justamente se deixar levar pela curiosidade.

    Existe a opção de escolher o menu-degustação (R$ 695 por pessoa), mas estávamos sem vontade dinheiro pra isso. Caso se opte pelo menu-degustação, todos na mesa precisam optar por ele. Existe outra opção, que é o Menu 3 Cursos, com entrada, principal e sobremesa, mais um belisquete surpresa, que custa R$ 365, na versão regular, ou R$ 285, na versão vegetariana. Resolvemos fazer um Menu de 3 Cursos regular, para dividirmos a entrada, com o outro de nós escolhendo um principal e uma sobremesa. Assim experimentaríamos uma boa parte das opções, sem deixar os nossos rins como pagamento, já que eles são muito valiosos e importantes em nossas vidas. Isso posto, é importante frisar que, desses restaurantes com chefs famosos e estrelas Michelin, o Maní é um dos que cobram o preço mais em conta pelo menu-degustação.

    O nosso belisquete surpresa, que faz parte do Menu de 3 Cursos, foi uma ostra que não está no cardápio. O garçom cantou os ingredientes pra gente, mas não me lembro de todos. Me lembro que tinha gin. Chris não gosta de ostra, então me dei bem, comi sozinho, veio apenas uma ostra, é bem belisquete mesmo, e estava saborosa, refrescante, adorável.

Saborosa, refrescante e adorável. E até bela, pra uma ostra.

    A entrada que escolhemos foi nhoque de mandioquinha e araruta|dashi de tucupi (R$ 86, mas fazia parte do Menu de 3 Cursos). Uma apresentação toda trabalhada na delicadeza, com os dez nhoques encimados por folhinhas ou temperos diversos. O dashi de tucupi é colocado no prato apenas na mesa, na frente do cliente. Fica como que uma sopinha de nhoque. A textura do nhoque é algo até difícil de descrever, uma maciez, uma fofura, que não me lembro de ter sentido igual. Chris também gostou da textura. O caldo tem uma razoável acidez, e eu achei delicioso, cheio de umami, fazendo salivar. Chris não gostou tanto quanto eu, e achou que é servido muito caldo, que poderia ser deixado ali para que o próprio cliente coloque o quanto quiser. 
 
Dez nhoquinhos encimados por folhinhas e temperos, uma tetéia

    A listagem de ingredientes que mais agradou a Chris foi bife ancho|purê de batata|leitelho|alface romana|chile poblano (R$ 199, mas fazia parte do Menu de 3 Cursos). Aqui uma apresentação mais porradona, apesar do inusitado de ver uma alface que passou por cozimento, algo não muito comum. O purê é servido à parte, com a espuma de leitelho (o líquido que sobra na produção de manteiga, menos gorduroso do que o leite) por cima, trazendo um pouco de acidez. Textura do purê muito macia, mas a verdade é que ele fica meio perdido ali, tanto que nem participa do rolê dentro do prato junto com os amiguinhos. Ela simplesmente adorou a alface romana com a farofinha de pão por cima, temperada com o chile poblano, uma pimentinha mexicana. A carne veio mal passada como ela pediu, e no geral estava macia, mas infelizmente tinha alguns pedaços com nervos, daqueles incomíveis. Eram poucos, mas suficientes para incomodar bastante.
 
Tudo lindo, gostoso, mas dá nos nervos, sabe?

    Eu simplesmente não consegui escolher meu prato principal, e deixei a cargo do acaso. Fiz um sorteio entre as oito opções. O acaso foi gentil com meu bolso, e escolheu um dos pratos mais baratos, com arroz negro|leite de castanha|hommus de castanha|banana-da-terra|brócolis (R$ 103). A apresentação ainda me deixa um pouco em dúvida, não sei se gostei. É no mínimo inusitada, com as folhas de brócolis (ao menos eu imagino que sejam de brócolis) por cima, fazendo sombra no restante dos ingredientes - foi até difícil achar um ângulo pra foto. Mas olha, essas folhas crocantes eram a melhor coisa do prato, absolutamente deliciosas. Eu gostei do hommus de castanha, e achei que poderia vir um pouco mais, assim como os cubinhos de banana-da-terra. As garfadas que vinham com esses elementos eram as melhores. O arroz em si estava gostoso, bem delicado, mas não memorável. E o brócolis (o brócolis mesmo, não as folhas) estava bom, bem firme na mordida, acho que era essa a intenção. Não curti a proporção, acabou "sobrando" arroz.
 
Já se passaram vinte dias e ainda não sei se gostei da apresentação

    Para o adoçamento da vida, Chris escolheu figo|ricota|mel|pólen de uruçu-amarela (R$ 50, mas fazia parte do Menu de 3 Cursos). Eu me referi a "adoçamento", mas na verdade temos a impressão de que os chefs, na tentativa de fazer sobremesas que não seja muito doces, acabam fazendo sobremesas delicadas demais. Chris gostou, não tem como dizer que estava ruim, apresentação bonita, trabalhada na monocromia, diferentes texturas, mas não houve emoção. Não havia elementos contrastantes o suficiente, Chris achou que ficou tudo meio "plano", monocromático, para usar, por extensão, o mesmo termo usado pra falar da apresentação.

Parece uma orelhinha

    Eu escolhi como sobremesa um dos únicos pratos com nome próprio em todo o cardápio: Da Lama Ao Caos. Ele vem com berinjela|coalhada seca|lima da pérsia|flor de laranjeira|pistache|gergelim preto (R$ 50). Essa sobremesa já apareceu no programa Masterchef, com os participantes recebendo a missão de reproduzi-la. Acabo de rever o episódio e, tecnicamente, a sobremesa traz uma enormidade de elementos - além de poder estar exposta no Museu de Arte Contemporânea, de tão bonita. É divertido de comer, buscando colheradas diferentes, com texturas e sabores diferentes. Inclusive é bem difícil conseguir uma garfada com todos os elementos presentes. Adorei especialmente os pistaches crocantinhos. Mas, assim como na sobremesa da Chris, aqui também faltou um grito, aquela deliciosidade que faz a gente lembrar para sempre do prato.  
 
Não gritou, mas é bela

    O serviço do Maní não tem aquela formalidade de restaurantes sofisticados, o que é um alívio. O garçom responsável por nossa mesa alternou bons e maus momentos, o que acho que pode ser explicado pelo fato de ele estar gripado (ou simplesmente com a rinite atacada) no dia de nossa visita. Às vezes ele parecia distante, meio sacudo, por exemplo quando a gente perguntou o que era leitelho, ou que cacete é um bulgur. Em outros momentos, como quando a Chris falou que eu sou sommelier de cervejas, o cara entabulou uma conversa amigável, informal e simpática sobre como os clientes não querem saber de cervejas diferentes em restaurantes como o Maní. Em relação aos tempos de espera, não há o que reclamar, mesmo com o restaurante bem cheio nenhum dos pratos demorou além do razoável.

    Eu tenho bastante simpatia pela chef Helena Rizzo. Gosto da postura, gosto das opiniões, gosto do jeito que ela trata as pessoas, ao menos no pouco que conheço dela, dos programas de TV. Por isso, para mim, é bem difícil concluir que, gastronomicamente falando, a visita ao Maní foi menos incrível do que eu esperava (mas também, verdade seja dita, eu esperava que cada garfada fosse explodir minha mente, o que é algo meio impossível de atingir). Já a Chris não tinha toda essa carga emocional envolvida, e achou a experiência boa, mas não tanto assim. Como representantes da classe trabalhadora, não conseguimos fazer refeições com esse patamar de preço a todo momento. Então ambos concluímos que não valeria a pena uma segunda visita ao Maní. Mas sabe aquela história de "não volto nem pagando"? Não é o caso aqui. Se alguém pagasse a gente voltaria. E iríamos de menu-degustação!

AVALIAÇÕES (Primeira nota da Chris, segunda nota do Fê; ao lado do quesito está o peso dele na média final):

Ambiente(2): 6 e 7
Serviço(2): 7 e 7
Entrada(2): 6 e 8,5
Prato principal(3): 7 e 7
Sobremesa(2): 5 e 7,5
Custo-benefício(1): 4 e 6
Média: 6,08 e 7,25
Voltaria?: Não e não

Serviço:
R. Joaquim Antunes, 210 - Jardim Paulistano, São Paulo - São Paulo
Telefone: (11) 97473-8994
Site: https://www.restaurantemani.com.br/
Instagram: @manimanioca

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Leggera Pizza Napoletana (São Paulo - SP) - 22/10/2025

 

    Para comilões, estar em São Paulo e não ir a uma pizzaria é como estar em Cuiabá e não sentir calor, como diria meu amigo Samuel, o Rosa. Mas qual escolher, em uma cidade com mais de quatro mil pizzarias? Talvez um bom caminho seja ouvir os italianos. O 50 Top Pizza, apesar do nome em inglês, é um ranking italiano, que frequentemente coloca o Leggera entre as melhores pizzarias do mundo, e no ranking mais recente a colocou em terceiro (veja aqui). Além disso, o estabelecimento sempre aparece em outros rankings, tanto nacionais quanto internacionais. Nos pareceu um bom motivo para escolhê-la para nossa noite da pizza em São Paulo.

Chegando leves no Leggera

    Como se pode ver aí acima, está faltando uma letra no letreiro da fachada. A questão filosófica que se apresentava era: estaria faltando alguma coisa também na pizzaria? Ainda não tínhamos essa resposta. Antes de termos a solução para esse mistério, fomos direcionados a uma sala de espera, teoricamente porque estariam arrumando a nossa mesa. Ficamos ali por uns 5 minutos, e já deu para notar o orgulho que a Leggera tem dos prêmios conquistados, já que a salinha tem várias menções às honrarias. Fomos direcionados para nossa mesa, e honestamente não deu para entender muito bem o motivo da espera - achei que teria ao menos nossos nomes escritos em um castiçal de ouro cravejado de diamantes, mas era só um jogo americano de papel mesmo.
 
    O ambiente do lugar pode ser chamado de aconchegante ou de apertado, a depender do ânimo de quem fala. A decoração é simples, com alguns quadros com motivos italianos, inclusive uma foto do Maradona, e uma camisa do Napoli, o time de futebol de Nápoles, com um autógrafo do Careca, jogador brasileiro que atuou por muito tempo na equipe (obrigado ao Leandro Iamin e ao Carlos Ghiraldelli por detectarem de quem era o autógrafo, que o são-paulino aqui vergonhosamente não conseguiu!). 

    Obs: a porquera da câmera do celular não se deu muito bem com a iluminação da Leggera, portanto as fotos não ficaram muito boas, motivo pelo qual pedimos desculpas antecipadas.
 
Era a isso que se resumia a preparação da mesa
 
É diploma pra todo lado, faltaram os da Chris
 
Uma lépida passada de páginas do menu

O vinho da casa, em taça

O autógrafo do pouca-telha, não reconhecido pelo escriba

    O cardápio lista algumas opções de entrada, como burrata, polpettine e até mesmo pizza frita. Mas resolvemos pular essa parte e partir logo para as pizzas. A Leggera trabalha com pizzas individuais, servidas direto no prato, com preços que variam entre R$ 62 (Marinara, basicamente o nosso alho e óleo) e R$ 85 (Cacio e Ragù, que tem carne de wagyu entre os ingredientes). O menu é dividido entre pizze rosse, que tem molho de tomate como base, e pizze bianche, que não tem molho de tomate como base. Aliás, o molho de tomate não aparece no cardápio simplesmente como "molho de tomate", mas sim como "Pomodoro San Marzano dell’agro Sarnese-Nocerino DOP". É ou não é coisa fina? Se não é, ao menos parece.

    A Chris já tinha feito a escolha dela antes de saírmos de casa: margherita. Que aqui aparece no cardápio como Margherita Verace (R$ 69) e com o adendo: 2X Eleita Melhor Margherita e Melhor Pizza de São Paulo PALADAR ESTADÃO 2022 e 2023. Baita pressão. Os ingredientes, além do molho de tomate chique, são: manjericão, muçarela de búfala, queijo Grana Padano e azeite extra virgem. A proporção é bem diferente daquela das pizzas de IFood, que são basicamente pizza de queijo com umas folhinhas avulsas de manjericão e uns tomates perdidos. Aqui o molho de tomate é a estrela. E que estrela. Chris disse que foi o melhor que ela já comeu na vida (eu dei uma roubada e endosso). Atrelado ao delicioso queijo e ao manjericão, que já nasceu bom, fizeram a Chris muito feliz. Por enquanto não vou falar sobre a massa.
 
Vou pegar uma colher mágica e tentar capturar esse molho

    Eu escolhi uma pizze bianche, sem o molho de tomate - o que foi, obviamente, um erro. Minha opção foi a La Divina Commedia (R$ 78), que também traz a pressão de ter vencido um prêmio, o Trofeo Emergente 2014 - Pizza Festival Napoli. Os ingredientes são: muçarela de búfala, manjericão, provolone defumado, linguiça curada picante, cebola roxa caramelizada, Grana Padano e azeite extra virgem. Claro que o molho de tomate faz falta na paleta de cores, mas o fato é que não achei a pizza muito bonita. A cebola roxa caramelizada estava embaixo das bolotas de queijo, e as garfadas com ela eram as mais aprazíveis, pelo contraste com a picância da linguiça. Mas no fim das contas quem ficava no paladar era a linguiça. Não desgostei, mas fiquei com inveja do molho de tomate da Chris. Por enquanto não vou falar sobre a massa. 
 
Meio desprovida de beleza, é preciso dizer

    Agora vou falar sobre a massa. O fato é que estamos acostumados a massas mais crocantes, e a massa da pizza napolitana tem uma textura um pouco mais borrachuda. Isso ajuda, inclusive, a dobrar a pizza ao meio e comê-la com as mãos, algo que é comum em Nápoles (fato confirmado com o supracitado Leandro Iamin e com um colega de serviço que também já esteve por lá). Então não podemos considerar essa "borrachudez" um defeito, embora cause estranheza. Aliás, essa maneira de comer, dobrando a pizza, seria o ideal, já que a pizza é maior que o prato, como se pode ver nas fotos acima, o que dificulta um pouco cortar com garfo e faca, ao menos nos primeiros pedaços. Depois vai "sobrando" mais prato e fica mais fácil.
 
Você consegue, tenho certeza que você consegue

Custava comprar uns pratinhos maiores?.

    Sim, é claro que, entre as opções de sobremesa, temos cannoli e temos tiramisù. Mas fomos em outro clássico italiano, e escolhemos o Semifreddo Ao Cacao (R$ 34, creme gelado de mascarpone e cacau em base de farofa de biscoito cantucci de amendoas finalizado com calda de frutas vermelhas). Apresentação bem bonita, sem economia na calda de frutas vermelhas, que estava gostosa, com acidez bem equilibrada. Também não economizaram nas frutinhas vermelhas, vieram em boa quantidade. Biscoitinho bem crocante, sobremesa bem equilibrada e com diversas texturas. Não surpreendeu mas agradou bastante.

Essa foto até que saiu boa, hein?

    Sobre o serviço, é eficiente, mas não perfeito. Não curtimos muito aquela espera inicial, pareceu uma coisa tipo "vamos fazer esperar um pouquinho porque é chique". Eu acho cafona. Outra coisa é que nem todo mundo que vai a uma pizzaria napolitana está acostumado com pizzarias napolitanas, pode ser a primeira vez, como era a nossa. Então acho que valeria explicar sobre a questão da massa mais borrachuda, sobre a possibilidade de comer com as mãos, enfim, essas particularidades. O restaurante estava bem cheio, mas mesmo assim o serviço não demorou, se mostrou atento, apenas com uma pequena demora na hora do pagamento. Também gostamos da sugestão de pedirmos um vinho em jarra, já que iríamos pedir duas taças que acabariam custando quase o mesmo preço da jarra, mas com bem menos volume.

    Acho que o texto acima responde à pergunta sobre se falta alguma coisa ao Leggera, além da letra "e" no letreiro. Sim, tivemos alguns probleminhas, especialmente relacionados ao serviço, mas também ao ambiente, que não curtimos muito, achamos que falta mais vida. Além disso, não fiquei assim apaixonado pela minha pizza. Nossa principal lembrança vai ser o maravilhoso molho de tomate, mas ele não é suficiente para nos fazer voltar. Nos contentaremos com a lembrança. Pensando bem, a letra "e" não está faltando no letreiro. O que falta é a luz para fazê-la aparecer. Metaforicamente, foi essa pequena luz que faltou em nossa experiência na terceira melhor pizzaria do mundo.


AVALIAÇÕES (Primeira nota da Chris, segunda nota do Fê; ao lado do quesito está o peso dele na média final):

Ambiente(2): 5 e 5
Serviço(2): 6 e 6,5
Prato principal(3): 7,5 e 6,5
Sobremesa(2): 6 e 7,5
Custo-benefício(1): 6 e 6
Média: 6,25 e 6,35
Voltaria?: Não e não

Serviço:
R. Cap. Pinto Ferreira, 248 - Jardim Paulista, São Paulo - São Paulo
Telefone: (11) 3884-6585
Site: https://www.pizzerialeggera.com.br/
Instagram: @leggerapizzanapoletana