Mostrando postagens com marcador bolinho de bacalhau. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bolinho de bacalhau. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Quinta do Olivardo (São Roque - SP) - 13/09/2025

 
    Tô achando que vamos ter que mudar o nome desse blog. É o segundo post seguido em que Chris e Fê tem companhia para papar. Mas convenhamos que "Chris e Fê e Carlos e Regina e Edna vão papar" não seria um nome muito prático. Melhor deixar como está. Mas sim, fomos comemorar o aniversário de minha mãe em companhia das pessoas supracitadas, lá na Quinta do Olivardo, um restaurante que minha mãe sempre teve vontade de conhecer. O motivo dessa vontade é que Olivardo, o dono do restaurante, é figurinha carimbada em programas de culinária verpertinos que minha mãe assiste, sempre ensinando com simpatia os pratos que serve em seu restaurante de São Roque. Então pegamos o carro em um sábado e dirigimos por cerca de duas horas e meia até o local, onde fomos acomodados em uma mesa na varanda, que já estava reservada (é bom reservar, porque o lugar lota!). Mas você vai poder saber como foi sem sair do lugar e sem pagar (mas também não vai poder comer). Vem com a gente.
 
Vem com a gente que é sucesso

    A Quinta do Olivardo, assim como vários estabelecimentos na Rota do Vinho de São Roque, é muito mais do que um simples restaurante: tem pousada, vinícola, lago, arvorismo, tirolesa, loja e até uma foto grande da Vila do Chaves, com um barril na frente pros turistas entrarem e pagarem mico (em nossa turma, só o mais bobo pagou esse orangotango). É bem grande mesmo, e dá pra perceber o cuidado em cada cantinho. Como a reserva foi feita com boa antecedência, conseguimos uma mesa com bela vista para toda a propriedade.  

Suspeito que o mais bobo foi quem tirou essa

Suspeito que o mais bobo segura um copo de cerveja

Suspeitas confirmadas

    A ideia era passar bastante tempo por ali. Começamos, portanto, pedindo cerveja Original (600ml, R$ 21,00) e cerveja de trigo do Olivardo (600ml, R$ 38), que ficaram em um balde com gelo, para acompanhar as várias entradas que escolhemos: azeitonas portuguesas (R$ 15), bolo de caco (R$ 12 a unidade), alheira defumada (com batata assada, ovo frito e pão português, R$ 119) e bolinhos de bacalhau (R$ 15 a unidade). 

    As azeitonas portuguesas tinham aparência de azeitona e gosto de azeitona. Concluímos que eram azeitonas mesmo. Estavam boas, claro. O bolo de caco é um tipo de pão com especiarias, manteiga e alho, estava bem gostoso. A alheira é uma linguiça tipicamente portuguesa, com carnes diversas no recheio, além de miolo de pão e muito alho, como resta claro pela alcunha. Estava absolutamente deliciosa, foi geme geme pra todo lado. As batatas que acompanhavam talvez pudessem ter um pouco a mais de sal. O pão português estava macio e saboroso, e como ninguém se habilitou a comer o ovo, fui eu o responsável por colocá-lo sobre o pão e fazer um clássico pão-com-ovo. O bolinho de bacalhau, que está ligado à origem do restaurante, é crocante por fora, macio por dentro, e muito bem temperado, com salzinho na medida. Dá para entender perfeitamente a fama que o bolinho ganhou lá atrás, quando a Quinta do Olivardo vendia seus vinhos e só tinha o bolinho de bacalhau para oferecer.
 
    Obs: para as nossas notas, consideramos uma médias de todas as entradas. 
 
Conhece o caco? Esse é o bolo dele

Essa é a alheira com o zoiudo e as coradas batatas
 
Esses à frente são os bolinhos de bacalhau, atrás estão as azeitonas

E aqui todos juntos e já parcialmente ingeridos

    O cardápio principal tem várias opções de um peixe cujo nome não tô me lembrando. Rima com "au". Como era mesmo? Varapau? Jarapau? Carapau? Não, senhoras e senhores, é ele mesmo, o bacalhau, que vem em nada menos do que oito opções diferentes, todas girando em torno de R$ 450 no prato para duas pessoas (achamos que serve até três). Entre os peixes, há também pratos com sardinha e salmão. Evidente que há também algumas opções de carne bovina, como a Espetada Madeirense (contra-filé espetado no galho de louro, servido com arroz, salada, bolo do caco e milho frito, R$ 269 para duas pessoas) e o parmegiana (R$ 269 para duas pessoas). Também existe o cuidado de oferecer pratos para crianças (com nomes divertidos como "Infantil à moda do Enzo") e pratos para veganos e vegetarianos (com destaque para a lasanha de alcachofra).

    Resolvemos escolher dois pratos principais, que servem cada qual duas pessoas, para dividirmos entre nós cinco. Um deles foi o Bacalhau à Moda do Valdir (posta de bacalhau, alho laminado, tomate, cebola, pimentão vermelho, ovos cozidos, batatas coradas, azeitona portuguesa e cheiro verde, servido com arroz branco, R$ 456)). Veio também com brócolis, que não estava na descrição. Vamos começar falando do alho, que veio por cima: estaca crocante, sequinho, muito bom. Os legumes bem cozidos (o brócolis talvez pudesse estar mais macio). Molho delicioso, ótimo pra chunchar o pão no final do prato. Bacalhau lindo, umas postas enormes, difícil encontrar coisa parecida nos mercados. Mas a opinião da mesa foi unânime: dessalgaram demais os bichinhos. Experimentado à parte, sem o molho, o bacalhau não tinha sal praticamente nenhum. Depois do bolinho de bacalhau tão bem temperado, foi um pouco decepcionante, especialmente para a aniversariante Dona Regina, que gosta mais de cloreto de sódio do que dos filhos (vou desmentir porque ela vai ler isso e vai dizer que eu exagerei). Mas, no todo, com o molho, estava bom.

Pô, seu Valdir, faltou sal no bacalhau

    O outro prato que escolhemos foi o Leitão à Bairrada (assado no forno à lenha, servido com batata chips, salada verde e arroz com brócolis, R$ 289 - servido somente aos finais de semana). Este que vos escreve foi quem bateu o pé para escolhermos esse prato, seduzido que fui pela contação de história no cardápio, que dedica uma página inteira a ele, falando que se trata de uma das sete maravilhas da cozinha portuguesa, que foi cozido por três horas, que não-sei-quê-não-sei-que-lá. Vou nem falar dele ainda, começar falando das chips, bem crocantes, da salada verde, bem verde, e do arroz com brócolis, que tinha arroz e tinha brócolis, de fato. Mas o porco mais incrível das galáxias tinha uma pele incomível de dura (a contação de história dizia que era crocante) e vários pedaços com cartilagem. Agora foi minha vez de ficar deveras decepcionado. Claro que deu para comer alguns pedaços, claro que estava saboroso, mas me parece mais mérito do porco. Laranja combina demais com carne suína, mas custava tirar as sementes? Já tinha rolado o trabalho de descascar e fatiar, acho que o mais fácil era "dessementar". Enfim, um prato sofrível, nada recomendado.

E só de birra nem teve uma foto só pro leitão, mas ele tá ali, à direita

    Obs: para as nossa notas, consideramos uma média dos dois pratos principais.

    Acompanhamos a refeição com um vinho Henri (R$ 167, 750ml), feito com a uva tannat. A Quinta do Olivardo também é uma vinícola, e o rótulo traz a marca da casa. Vinho bem agradável. No entanto, estranhei o fato de o vinho ser feito com tannat, que eu já aprendi em outras viagens que é uma uva que não se dá muito bem aqui no sudeste. Então fui dar uma olhada no rótulo e vi que o vinho foi produzido por um outro CNPJ. Consultei na internet e vi que se trata do CNPJ da vinícola Lídio Carraro, uma das mais respeitadas lá de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Mistério resolvido. É uma prática muito comum, mas no meu entender deveria ficar mais claro pro consumidor que não se trata de um produto próprio.

Sendo produto próprio ou não, o rapaz bebe

    Minha mãe queria ver o Olivardo, mas ele ainda não tinha aparecido - embora já tivéssemos ouvido rumores de que ele estava na casa. Quando já tínhamos pedido a conta ele começou a circular pelas mesas, algo que, pelo que ouvimos, ele faz sempre. De longe minha mãe já fez saber que queria dar um abraço nele. E não demorou para que ele viesse até nossa mesa cumprimentar a aniversariante e, ainda por cima, mandar vir, na faixa, uma rabanada portuguesa com sorvete (rabanada Portuguesa com calda de mel, canela e Vinho do Porto, acompanhada de sorvete de creme, R$ 28,90 - pra quem paga, porque nós não pagamos). Foi a melhor coisa que ele fez, para apagar a lembrança do leitão: uma sobremesa deliciosa, com a rabanada quentinha, crocante, saborosa, fazendo contraste de temperatura com o sorvete de creme, este vindo com uma pequena concavidade em cima, suficiente para caber um porção da deliciosa calda de mel, canela e vinho do Porto. Que mané petit gateau que nada. Até Dona Regina, que não curte muito sobremesas (ela é fã de cloreto de sódio, lembra?) adorou o mimo. 
 
Aí senti firmeza, Seu Olivardo

Uma bela foto em plongê, fazendo jus ao mimo

    Em um restaurante tão grande e que tem lotação garantida em praticamente todo final de semana, claro que o serviço tem que ser extremamente eficiente. Do contrário é tragédia garantida, porque um erro leva a outro e, num universo de dezenas de mesas, o efeito dominó é certo. Em nossa experiência, todo o serviço foi exemplar. O foco é na eficiência, o que significa que a simpatia e a espontaneidade, embora presentes, não são o principal. E, nesse caso, tem que ser assim mesmo. Tudo funciona como uma máquina bem azeitada, para usar uma metáfora gastronômica bem portuguesa. Sempre tem alguém atento a qualquer gesto dos clientes, e chega a ser impressionante a velocidade de entrega dos pratos.

    Tudo o que vai acima deixa claro que, aniversário de mãe à parte, a experiência na Quinta do Olivardo teve lá seus altos e baixos, gastronomicamente falando. Depois dos intensos prazeres reservados pelas entradas, tivemos igualmente intensas decepções com os pratos principais, para, ao final, em uma virada digna de Agatha Christie, encontrarmos a redenção em uma sobremesa que chegou inesperadamente. Neste parágrafo final a gente sempre decide se voltaria ou não a um restaurante. É uma maneira de indicar a quem lê se a experiência realmente foi acima da média, seja por qual motivo for. Eu acho que as ótimas entradas e o ambiente agradável me permitiriam voltar, mas não para uma refeição completa. Talvez só para uns comes e bebes na tasca que fica ao lado do restaurante. Já a Chris acha que não valeria a pena uma nova visita - embora eu imagine que possa convencê-la com a lembrança da rabanada com sorvete, para a qual ela deu uma nota dez.

AVALIAÇÕES (Primeira nota da Chris, segunda nota do Fê; ao lado do quesito está o peso dele na média final):

Ambiente(2): 7,5 e 8
Serviço(2): 8 e 9
Entrada (2): 8 e 8,5
Prato principal(3): 6 e 6
Sobremesa(2): 10 e 8
Custo-benefício(1): 6 e 7
Média: 7,58 e 7,66
Voltaria?: Não e sim

Serviço:
Estr. do Vinho (Spv-077), S/N - Sorocamirim, São Roque - SP
Telefone:   (11) 98856-3222
Site: https://quintadoolivardo.com.br/
Instagram: @quintadoolivardo

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Insólito Gastrobar (São José dos Campos - SP) - 18/06/2024

 

    Contrário ao costume. Inabitual. Incomum. Extraordinário. Essas são algumas das definições do dicionário para a palavra "insólito". Não parece um nome ruim para um gastrobar, um tipo de empreendimento que não é muito comum em São José dos Campos. A essência de um gastrobar, como o nome indica, é unir um ambiente de bar, mais informal e irreverente, com petiscos e pratos mais elaborados e criativos, que não são comumente encontrados em bares. Foi para essa missão insólita que Chris e eu nos rumamos em uma noite fresca de terça-feira - com a adição luxuosa de meu irmão Carlos, vulgo Cazaugusto, vulgo Boto, que se juntou a nós.
 
Família Vulgo: Vulgo Boto, Vulgo Fê e Vulgo Chris
 
    O cuidado na decoração já chama a atenção do lado de fora, com o belo e criativo logo do bar desenhado em uma parede, ao lado de mesinhas, uma bela árvore e a frase "O incomum em cada detalhe". Do lado de dentro um primeiro salão com o balcão do bar, uma estante com diversas garrafas coloridas, e muito uso de tijolinho à vista, pra dar aquele toque vintage da moda. Também há um corredor lateral, coberto, com algumas mesas. Indo para os fundos do restaurante encontramos mais alguns elementos de decoração antigos, como telefones e televisores, além de uma prateleira cheia de CDs (pois é, CDs já são considerados peças de museu). Para finalizar, uma grande área aberta na parte de trás do restaurante, com diversas mesas de tamanhos e alturas diferentes. Em um cantinho, quase imperceptível, o elemento mais insólito da decoração: um orelhão. Importante lembrar aos fumantes: tanto nas mesinhas da frente como na parte aberta ao fundo é permitido fumar. Chris ficou saltitante com essa informação.

É muito capricho, né não?

Taças, tijolos à vista, garrafas coloridas

Mais um pouco de tijolinhos à vista e o corredor lateral
 
Peças de museu (não o Boto, que é peça de rio)
 
Tem aquecedor, mas só um trouxa foi de camiseta curta

Um orelhão é insólito o suficiente pra você?

    Como se trata de um gastrobar, convém escrever brevemente sobre as bebelanças disponíveis no local. De cerveja eles estão muito bem servidos, já que trabalham com toda a linha de chopp da Cervejaria Bamberg (que é boa pacacete). Para os drinks são diversas opções, quase todas clássicas, não existem muitas invenções (algo que eu acho que poderia ser melhor trabalhado). A casa tem parceria com os Alquimistas da Serra, uma destilaria artesanal de São Francisco Xavier. Segundo nos foi informado, em breve eles vão começar a fazer as destilações no próprio local. Durante nossa estada tomamos alguns chopps (média de R$ 14 o de 300ml e R$ 19 o de 500ml), um Bloody Mary (bonito, gostoso e picante, R$ 30) e um drink sem álcool chamado Manguito Sour (bem refrescante, com diversas frutas e espuma de gengibre, R$ 23).

"Bonito, gostoso e picante" (that´s what she said)

O roxinho são gotas da flor Clitorea Ternatea (serião memo)

Pessoas iluminadas

    Como é de se esperar em um gastrobar, o cardápio é bem curto. A maior parte das opções fica na seção "Entradas e Petiscos", recheada de coisas bem apetitosas. Não há nada assim muuuito insólito, mas existem algumas coisas não tão comuns, como o "Cocktail de camarão" (R$ 49) e o "Bolinho de abóbora kabocha com gorgonzola e molho de laranja e mel" (5 unidades, R$ 28). Optamos por escolher três entradas diferentes, para dividirmos entre nós (as notas finais são uma média de nossa apreciação das três). 

    Nossas escolhas foram: pastel de camarão com molho vinagrete (4 unidades, R$ 34), bolinho de bacalhau com geléia de abacaxi com pimenta (6 unidades, R$ 36) e o ceviche havaiano (tilápia marinada na vodka aromatizada com mix de limões, manga e especiarias, R$ 32). Todas as porções são muito bem servidas e condizentes com o preço. Pastéis muito bem recheados (tipo uns 10 camarões dentro de cada), com massa bem crocante e o vinagrete ajudando a elevar o sabor - mas o recheio poderia ser mais cremoso, com algo para "unir" os camarões. Os bolinhos de bacalhau estavam gostosos, embora eu tenha achado que faltou um pouco de bacalhau no recheio. Mas a massa tava bem crocante por fora (uns dois vieram um pouco queimadinhos), com o recheio bem cremoso por dentro. Achei a geléia de pimenta um tanto sem graça, faltou picância. O ceviche havaiano estava bem refrescante, muito saboroso, com acidez na medida, e acho que foi o preferido de todos.

Um chopps e quatro pastel

Bolinho de bacalhau pra quem não gosta muito de bacalhau

É um belo bocado de ceviche

    Fora da seção de "Entradas e Petiscos" temos saladas, pratos principais, caldinhos, vegetarianos e alguns hambúrgueres. Entre os pratos principais são seis opções, e acho que é onde reside o principal problema do Insólito: nada faz jus ao nome do lugar ou ao que se espera de um gastrobar. São opções bastante comuns, clichês mesmo, sem nada de insólitas.

    Chris escolheu o Filé Insólito (risoto de cogumelos, filé mignon e molho rôti, R$ 77). Apresentação bonita, com o filé no meio do prato, sobre o risoto, com o molho bem escuro por cima. Já perdi a conta de quantas vezes escrevi isso aqui no blog desde 2014, mas vamos lá de novo: o ponto da carne da Chris veio errado. Ela pediu mal passado e veio ao ponto. Mas ela comeu todo o filé com o molho. O grande problema estava no risoto, que ficou quase todo no prato. Estava com um sabor forte de álcool e muita acidez. Provavelmente usaram muito vinho, ou não deixaram o vinho evaporar. Um desastre.

A viola estava bela, mas o pão...

    Eu mandei ver um Medalhão do Chef (filé mignon com batata bolinha, tomate confit, alecrim e arroz de amêndoas, R$ 75). Coloquei nos parênteses a descrição do cardápio, mas as amêndoas ficaram nas amendoeiras, não chegaram ao prato. Em termos estéticos não tava lá muito bonito, um tanto amontoado. O meu filé veio ao ponto, que foi o ponto que eu pedi mesmo. Batatinhas ok (um pouco salgadas), tomate razoável, arroz legal. Uma boa comida, mas longe de valer os setenta e cinco mangos cobrados.

As amêndoas não vieram, e quem veio não disse a que veio

    Meu irmão estava lá pra comer, beber e se divertir, sem analisar porra nenhuma, como ele mesmo disse. Mas ele mandou dizer que o risoto de camarão tava bom, mas ele faria melhor, e que a couve crispy não tava crispyzada, tava xoxa. 
 
Ninguém há de reclamar da falta de camarões
 
    São apenas três opções de sobremesa, todas clássicas, mas com um toque diferente. A gente queria o Choco Gin (mousse de chocolate meio amargo e gin envelhecido, R$ 22), mas estava em falta. Ficamos com o Papaya Dream (creme de papaya com vermute artesanal, R$ 22). O creme tava quase no ponto de sorvete, e tava bem sem gracinha. As sobremesas são outro quesito em que o Insólito tem que dar uma "insolitada", não adianta só colocar um vermute artesanal numa sobremesa clássica e achar que tá resolvido. Inclusive a sobremesa funciona melhor com o clássico licor de cassis do que com o vermute.
 
Nhé

    O restaurante estava bem vazio, só havia mais uma mesa ocupada. O serviço todo foi feito por apenas um garçom. No quesito simpatia a nota é dez com louvor. Conversador, risonho, conhecedor do cardápio, falou até de assuntos alheios ao restaurante. Mas por vezes dava uma sumida, e também demorava um pouco para retirar os pratos em cada etapa da refeição. Outro problema do serviço, esse sem relação com o garçom, é que os pratos principais demoraram um pouco além do razoável para chegarem.

    Importante deixar claro uma coisa: nós queremos vida longa ao Insólito. São José carece de mais lugares como esse, que tentam fazer alguma coisa diferente, anormal, incomum, extraordinária. Mas não é fácil chegar a esses adjetivos. Com pouco mais de três meses de vida, acho que o Insólito ainda está tateando sua verdadeira vocação. Em nossa humilde opinião, para continuar como um gastrobar, ou seja, um lugar onde se pode fazer uma refeição completa, é preciso melhorar as opções e as preparações dos pratos principais e das sobremesas. Porque os diversos ambientes, o atendimento descolado, a decoração criativa, os petiscos gostosos e as boas bebidas certamente nos fariam voltar novamente ao lugar. Mas para uma noite de bar. Não de gastrobar.     

AVALIAÇÕES (Primeira nota da Chris, segunda nota do Fê; ao lado do quesito está o peso dele na média final):

Ambiente(2): 8,5 e 9
Serviço(2): 6,5 e 6,5
Entrada (2): 8 e 7,5
Prato principal(3): 4 e 5
Sobremesa(2): 4 e 5
Custo-benefício(1): 5 e 6
Média: 5,91 e 6,41
Voltaria?: Sim e sim (pra botecar!)

Serviço:

Av. Anchieta, 149 - Jardim Nova America - São José dos Campos - São Paulo
Telefone: (12) 99783-4244
Instagram: @insolito.br